Reformas, reforços e rupturas: os quatro meses de Alexandre Gallo no Botafogo-PB
Dirigente acabou tendo uma passagem curta no Belo após uma ruptura com o principal investidor da SAF
10 de julho de 2025

Quando foi anunciado como o CEO do Botafogo-PB, havia-se muito expectativa do que Alexandre Gallo poderia fazer à frente do clube alvinegro, por conta de sua experiência na elite do futebol brasileiro. No entanto, quatro meses depois, Gallo deixa a capital paraibana com um trabalho marcado por mudanças estruturais e algumas polêmicas no time da Maravilha do Contorno.

Reformas na Maravilha do Contorno

Antes da mudanças dentro de campo, os primeiros impactos da gestão da SAF, sob o comando de Alexandre Gallo, foram sentidos no Centro de Treinamento da Maravilha do Contorno. Nesse período, foram feitas reformas no estacionamento, iniciadas as obras dos alojamentos para as equipes sub-15, sub-17 e sub-20, além da construção de um novo departamento médico. Também houve melhorias no refeitório e na lavanderia.

A principal intervenção e a primeira a ser entregue foi a nova academia. O espaço utilizado como o “Terraço do Belo” deu lugar a novos equipamentos para os treinos físicos dos atletas. Inicialmente, o local está sendo utilizado pela equipe principal, mas a previsão é que, após a construção de outra academia, o espaço seja destinado para as categorias de base.

Nova academia do Botafogo-PB foi a primeira intervenção entregue por Alexandre Gallo. (Foto: João Neto/Botafogo-PB)

Até o fim do ano, o planejamento é finalizar a entrega dos cinco campos, sendo três novos para a base e o time feminino, além de dois para o time profissional. Outra obra que também está prevista para começar ainda em 2025 é a construção do novo hotel para o time principal do Botafogo-PB.

Reestruturação da base e do futebol feminino

Uma das primeiras ações de Gallo no departamento de futebol foi a reestruturação das categorias de base e do futebol feminino, com a contratação de Nei Pandolfo como coordenador do setor. O clube retomou com os times sub-17 e sub-20, voltando a disputar os campeonatos estaduais das categorias. Além disso, a edição do projeto Belas Meninas de 2025 foi lançada com o principal foco em trabalhar com jovens jogadoras, entre 14 e 19 anos.

Nova fornecedora de materiais esportivos

Lançamento oficial dos uniforme do Botafogo-PB em parceria com a Kappa. (Amauri Aquino / TV Correio)

Em abril, o Botafogo-PB lançou oficialmente a sua nova linha de uniformes, em parceria inédita com a Kappa, que se tornou fornecedora oficial do clube. Apesar da expectativa da torcida quanto à qualidade e variedade de produtos disponíveis, a quantidade limitada de camisas disponíveis para venda gerou insatisfação. Além disso, o tradicional uniforme listrado ainda não foi lançado; até agora, o time tem utilizado apenas os padrões 2 (branco) e 3 (preto).

Mudança no programa do sócio-torcedor

A gestão de Alexandre Gallo também passou a buscar mais o fortalecimento do programa do sócio-torcedor. Foram feitas algumas mudanças que ampliaram o número de planos e alteraram os valores. Atualmente, o programa conta com as categorias Alvinegro, Xerife, 1931, Xerifinho e Embaixador, com preços entre R$ 10 e R$ 150 por mês.

Em entrevista ao programa Correio Esporte Clube, da rádio 98FM, o antigo dirigente revelou que a meta era atingir 7 mil sócios-torcedores até o fim do ano. Desde a chegada da SAF, o número de associados saltou de 1 mil para 2.408.

Aumento no preço dos ingressos

Torcida do Botafogo-PB, no Almeidão. (Foto: Cristiano Santos/Botafogo-PB)

Outra medida adotada foi o aumento no preços dos ingressos a partir da Série C do Brasileiro. O valor mínimo das entradas passou a custar R$ 60 (inteira). Sob a contestação da torcida, Gallo justificou que seria uma forma de incentivar aos torcedores a aderirem ao programa de sócio-torcedor, onde eles poderiam pagar por ingressos mais baratos.

Pacotão de reforços

Desde sua apresentação, Alexandre Gallo já deixava claro que não mediria investimentos para montar um elenco que brigasse pelo acesso à Série B. Depois, o então dirigente seguiu com a ideia de “agressividade” no mercado, prometendo um Botafogo-PB com a maior folha salarial da Terceirona.

Durante os quatro meses de sua gestão, o departamento de futebol do Belo contratou 26 jogadores. Além de apostar em jogadores jovens, a diretoria trouxe atletas experientes como Henrique Dourado, Michael, Camilo, Silvinho e Léo Santos.

Até agora, o número de reforços trazidos ainda não se traduziu em qualidade dentro de campo. Alguns setores ainda estão carentes de opções – como as laterais, o meio-campo e o ataque – e alguns jogadores contratados ainda não corresponderam.

Três trocas de técnicos, zona do rebaixamento e rompimento com Filipe Félix

Outro marco da passagem de Gallo pelo Botafogo-PB foi a constante troca de técnicos. Ao todo, três profissionais passaram pelo comando Belo em quatro meses.

Após o vice-campeonato paraibano, João Burse foi demitido. A ideia era trazer um técnico de peso para a Série C. Após uma arrastada negociação, Antônio Carlos Zago desembarcou na Maravilha do Contorno.

No entanto, a alta expectativa com Zago não se traduziu dentro de campo. A falta de evolução do time aliada aos maus resultados culminaram na saída do treinador um mês após assumir a equipe.

Precisando dar uma resposta urgente na Série C, Márcio Fernandes foi o escolhido para tentar melhorar a situação do Botafogo-PB. Mas o time alvinegro seguiu sem render e entrou na zona do rebaixamento. Márcio não resistiu e foi demitido.

Além da demissão do técnico, também foi discutida a saída de Fausto Momente, diretor executivo de futebol. E foi nesse momento que os bastidores do clube eclodiram.

Alexandre Gallo e Filipe Félix romperam após uma divergência sobre a permanência de Fauto Momente. (Foto: Cristiano Santos/Botafogo-PB)

Alexandre Gallo considerava Momente como um homem de confiança, por isso, ele era contra a demissão do executivo. Porém, Fillipe Félix, investidor majoritário da SAF, queria a saída de Fausto. Nessa queda de braço, a demissão de Fausto Momente foi concretizada, e Gallo optou por não seguir no Botafogo-PB, encerrando a sua passagem curta pelo futebol paraibano.

O cargo de CEO da Belo SAF ainda segue vago. A função de executivo de futebol foi ocupada por Felipe Albuquerque, enquanto o comando técnico teve o retorno de Evaristo Piza.

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Foto: João Neto / Botafogo-PB

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