Paraíba sedia congresso e vira centro do debate sobre futebol feminino no Brasil
Congresso reúne ex-jogadoras, dirigentes e Justiça Desportiva para discutir inclusão e desenvolvimento da modalidade
20 de março de 2026

A Paraíba se tornou o grande centro de discussão sobre o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil. Nesta sexta-feira (20), João Pessoa recebeu o congresso “Mulheres, Justiça e Futebol: Desafios e Oportunidades da Modalidade Feminina no Brasil”. O evento foi organizado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Federação Paraibana de Futebol (FPF-PB).

A iniciativa teve o objetivo de promover reflexões sobre o papel das mulheres no futebol brasileiro, tanto dentro de campo quanto nos espaços institucionais e de comando, além de discutir os desafios e avanços relacionados à igualdade de gênero no esporte.

Entre as convidadas, estiveram ex-jogadoras que foram referências na modalidade e que hoje ocupam espaços de influência e decisão no futebol feminino.

Formiga, uma das principais jogadoras da Seleção Brasileira e a atleta que mais representou o país, entre homens e mulheres, em Jogos Olímpicos, destacou a importância de voltar o olhar para regiões que concentram grandes talentos, mas ainda não são valorizadas, como o Nordeste.

“Sabemos que o Nordeste possui inúmeros talentos que precisam ser lapidados. Eu espero que, a partir de hoje, possamos mudar a mentalidade de muitas pessoas em relação às mulheres e às meninas e que possamos avançar. Desejamos que o futebol feminino saia do eixo Rio-São Paulo. Precisamos ter essa força em todo o país”, disse a ex-jogadora da Seleção Brasileira.

Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira (Foto: Reprodução/TV Correio)

A ex-goleira e atual coordenadora do futebol feminino do Santos, Thaís Picarte, explicou um pouco do trabalho que as Sereias da Vila desenvolvem para reforçar o protagonismo feminino para além das quatro linhas.

Algo que temos feito muito no nosso departamento é apoiar todas as mulheres, seja para seguirem no futebol ou em outras carreiras, a se formarem e terem oportunidades. A nossa visão do papel da mulher no futebol vai muito além do que acontece dentro de campo. Eu sou exemplo disso, afirmou a dirigente.

A pouco mais de um ano da Copa do Mundo Feminina, que será sediada no Brasil, a CBF vem promovendo mudanças estruturais no futebol feminino e buscando dar mais protagonismo às mulheres na gestão.

“Quando falamos de futebol feminino e de todas as áreas do esporte, vemos que, principalmente aqui na Paraíba, temos a referência de uma vice-presidente e uma presidente de federação mulheres, o que, para a nova gestão da CBF, tem uma simbologia muito grande. Estamos trabalhando desde o primeiro mês de gestão para fomentar o futebol feminino. Fizemos mudanças estruturais, aumentamos cotas, ampliamos o número de clubes participantes nos nossos eventos, além de implementarmos medidas voltadas às jogadoras mães lactantes. Também tornamos obrigatória, na Série A1, a formalização de contratos de trabalho com as jogadoras”, detalhou o presidente da CBF, Samir Xaud.

Protocolo de atuação da Justiça Desportiva

Protocolo de Atuação e Julgamento com Perspectiva de Gênero no Âmbito da Justiça Desportiva do Futebol (Foto: Vitória Soares/Arena Correio)

O evento também marcou o lançamento do “Protocolo de Atuação e Julgamento com Perspectiva de Gênero no Âmbito da Justiça Desportiva do Futebol”, do STJD. O documento busca fortalecer práticas jurídicas que respeitem as vivências das mulheres, como explica Mariana Barreiras, auditora do pleno do STJD.

Entendemos que apenas a letra da lei não é suficiente para alcançar a igualdade de gênero. É necessário que haja, nos julgamentos, um olhar atento às vivências das mulheres. Um exemplo simbólico é quando uma mulher sofre um xingamento ou algum tipo de assédio, situações que muitas vezes ocorrem em ambientes reservados, sem testemunhas. Por isso, é fundamental dar mais voz e credibilidade à palavra da vítima. Também é preciso cuidado na coleta desses depoimentos, para evitar a revitimização, ou seja, que ela tenha que reviver a dor repetidas vezes. Claro que o depoimento é necessário, mas deve ser feito de forma sensível e cuidadosa. Esses são alguns exemplos de como um protocolo pode contribuir para que situações de violência de gênero sejam mais bem tratadas pela Justiça, explicou.

O protocolo deverá ser assinado na próxima segunda-feira (23) e começará a ser aplicado em futuros julgamentos do STJD.

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Foto: Vitória Soares/Arena Correio

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