Os preparativos para a temporada 2026 se desenhavam, ao menos no discurso do dono do Botafogo-PB, Fillipe Félix, como um ano promissor, com prioridade em tirar o clube da fila sem ganhar títulos e com o sonho do acesso à Série B sendo, enfim, materializado, visto o longo tempo do Belo na peregrinação da Série C, onde “reside” desde 2014. Não duvido de sua intenção; o problema segue sendo (não só) a bola. Não tem. E o roteiro dessa novela segue o mesmo, visto e aplicado desde 2019, quando, quase sempre, os finais não foram nada felizes, fruto de práticas que insistem em sobreviver. Segue faltando o protagonismo desejado do futebol.
A justificativa do mandatário botafoguense, porém, era legítima e valia o crédito do torcedor, uma vez que não lhe faltaria tempo e espaço para organizar a casa e, sob seu controle, acompanhar de perto todos os processos internos e de planejamento. Estruturalmente, a Maravilha do Contorno tem, de fato, outra cara, com um hotel em processo de construção, melhor estrutura para o trabalho do departamento médico, além da elogiada academia, do belíssimo vestiário e da nova entrada do Centro de Treinamento, agora com estrutura e identidade de clube profissional. É um ponto indiscutível. Pulemos, agora, a página para o que cerca o riscado, onde tudo acontece e dita o temperamento dos dias de um clube em atividade.

Para além dos bastidores, o futebol sobrevive de resultados, de títulos e de boas perspectivas. É isso que traz confiança e autoestima como consequência, para o clube e para a torcida. Mas não é o que acontece. Não no Botafogo-PB.
O ano de 2026 do time pessoense, até o momento, consiste em um planejamento milionário, é verdade, mas problematicamente tardio; em um técnico fora do perfil traçado (refiro-me a Bernardo Franco); em um executivo longe de convergir com os setores do clube; e em um início de temporada que, de mais empolgante, sobrevive de uma vitória no clássico contra o eliminado Treze e de uma classificação em primeiro lugar na primeira fase do Campeonato Paraibano que, sinceramente, vendo de fora, parece não ter empolgado nem os próprios atletas. A quem acompanha o Belo há muitos anos, nada de se estranhar. No entanto, a ideia era de que, com uma nova cabeça dando voz e apontando os rumos do clube, com ideias diferentes e inovadoras, com novo oxigênio e com foco no futebol, os resultados fossem ao menos animadores. Até o momento, fora a surpreendente contratação de Nenê, não é o que se constata. Falta desempenho, mas falta também identidade, que parece mais restrito aos fantasiosos discursos e postagens em redes sociais.
No meio do percurso deste ainda início de temporada, veio a eliminação para o Mixto-MT, na Copa do Brasil, em um jogo combativo, mas, novamente, sem muita inspiração. Antes disso, uma vexatória goleada por 4 a 1 sofrida para o Campinense, comandado por Evaristo Piza — demitido do Belo após aceitar a missão de salvar o clube do rebaixamento na Série C e que, em agosto, teria uma renovação contratual encaminhada, segundo o próprio Fillipe Félix — já havia ligado todos os alertas internos. Como consequência, as saídas do técnico Bernardo Franco e do executivo Rodrigo Pastana. O primeiro, inclusive, talvez o menor dos culpados, já que chegou a João Pessoa sem a pompa de quem já havia conquistado o acesso à Série B, como também havia sinalizado o dono da SAF alvinegra.


Na mudança de rota, com a chegada do experiente Lisca, o que se vê é um Botafogo-PB mais disposto, ainda engatinhando organização, mas que precisa, urgentemente, trocar de marcha em meio a uma ladeira íngreme, usando da meia-embreagem para forçar um motor batido e viciado.
O resultado final do Campeonato Paraibano pode apontar o Botafogo-PB como campeão, cumprindo o prévio favoritismo cantado por muitos ainda em dezembro, mas que, cada vez mais, é colocado em xeque por um futebol pobre, que não nutre empolgação nem confiança.
Com nomes como Nenê e Henrique Dourado, somados às recentes contratações de Felipe Azevedo, Rodolfo e outros nomes, o Alvinegro da Estrela Vermelha se sustenta na semifinal do Campeonato Paraibano em meio ao desequilíbrio de um elenco que, para o estadual, precisa, agora mais do que nunca, com a água no pescoço, render mais para não morrer na praia. Em desvantagem contra o Serra Branca na semifinal da disputa, o fantasma de poder chegar ao sétimo ano sem título paraibano paira sobre uma semana que poderia passar mais tranquila.
Nos últimos dois anos, o Botafogo-PB viu o título ficar com o Sousa em pleno Almeidão lotado. O atual bicampeão paraibano, inclusive, foi apontado de forma infeliz por Fillipe Félix, há pouco mais de um mês, como um clube que “não representa o Sertão”. Agora, contra um clube caririzeiro, o Belo, time com maior número de títulos no futebol paraibano, vai precisar falar menos e jogar mais (muito mais), como protagonista, dentro e fora de campo, para, ao menos, ser finalista.
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Foto: João Neto / Botafogo-PB
