Amauri Aquino
Pelos Gramados da Paraíba

Jornalista versátil e apaixonado por esportes. Nascido e criado na capital paraibana.

Venceu quem acreditou até o fim
29 de junho de 2026

Existem vitórias que convencem.
Existem vitórias que encantam.
E existem aquelas que simplesmente precisam acontecer.

O 2 a 1 sobre o Japão pertence à terceira categoria.
O Brasil não fez sua melhor partida na Copa do Mundo. Pelo contrário. Durante boa parte do primeiro tempo, repetiu velhos problemas: erros de passe, pouca criatividade e dificuldade para romper uma defesa organizada. O gol japonês parecia apenas consequência de um time que, mais uma vez, tinha a posse da bola, mas não conseguia transformá-la em perigo.
Foi aí que apareceu Carlo Ancelotti.

Não apenas pelas substituições.
Mas pela convicção.

Ancelotti e Endrick (Foto: FIFA)

Enquanto muita gente esperava uma revolução tática, o treinador italiano escolheu insistir. A orientação era clara: atacar pelos lados, ocupar a área com mais jogadores e transformar cada cruzamento em uma oportunidade de gol.

Não foi um acaso.
Foi um plano? talvez…

Casemiro já havia avisado nos primeiros minutos do segundo tempo, quando quase empatou de cabeça. Dois minutos depois, repetiu o movimento. Gabriel Magalhães cruzou, o volante atacou o espaço como nos melhores tempos de Real Madrid e Manchester United e deixou tudo igual.
Ali, o jogo mudou.

O Japão continuava organizado, mas já não controlava emocionalmente a partida. O Brasil passou a acreditar. E, quando um time acredita, os minutos parecem jogar a seu favor.

Ancelotti continuou enchendo a área.
Continuou insistindo.
Continuou pedindo calma.

Até que, aos 49 minutos, a insistência venceu o desespero.
Rayan recuperou a bola, Bruno Guimarães enxergou o espaço e Gabriel Martinelli apareceu onde todo atacante precisa aparecer: dentro da área.
O gol não foi apenas da classificação.
Foi o gol de uma ideia.

Durante muito tempo, nos acostumamos a enxergar Ancelotti como o treinador das estrelas. O técnico que administrava elencos recheados de craques e deixava o talento resolver.
A Copa do Mundo está mostrando outra versão.

A de um treinador que não tem vergonha de ser pragmático.
Que muda o jogo sem mudar suas convicções.
Que entende que, em mata-mata, muitas vezes a beleza está na eficiência.
Talvez por isso Casemiro tenha sido um dos personagens da noite.
E há outro detalhe que merece ser lembrado.

Mesmo substituído durante o segundo tempo, Matheus Cunha voltou a ser importante. Mais uma vez foi referência para os zagueiros, brigou por espaço, abriu corredores para os companheiros e ajudou a desgastar a defesa japonesa antes das mudanças que decidiram a partida. Nem sempre o protagonista é quem aparece na foto do gol. Às vezes, é quem prepara o terreno para que ela aconteça.

O Brasil está nas oitavas.
Sem espetáculo.
Sem sobrar em campo.

Mas com algo que talvez seja ainda mais importante nesta fase da competição: confiança de que existe um caminho.
E, se há uma característica que acompanha Carlo Ancelotti desde os tempos de Milan, Chelsea e Real Madrid, é justamente essa.
Os times dele raramente desistem.

Podem sofrer. Podem balançar.
Mas continuam vivos até o último apito.

Foto: FIFA

Selo copa 2026