Amauri Aquino
Pelos Gramados da Paraíba

Jornalista versátil e apaixonado por esportes. Nascido e criado na capital paraibana.

Seleção começa a ter cara. E a Paraíba também
25 de junho de 2026
(Foto: Fifa)

A fase de grupos terminou. E, pela primeira vez nesta edição, o Brasil passou a impressão de ser, de fato, um time.

Não apenas pelos 3 a 0 sobre a Escócia. Nem pelos dois gols de Vinícius Júnior, que vive um excelente momento e finalmente assumiu o protagonismo que durante anos lhe foi cobrado com a camisa amarela. Mas pela maneira como a equipe se comportou.

Houve organização. Houve intensidade. Houve aproximação entre os setores. E, principalmente, houve identidade.

Muito se criticou Carlo Ancelotti nas duas primeiras partidas. A escalação, as escolhas, a falta de criatividade e até a aparente frieza à beira do campo. As críticas eram justas. Afinal, a Seleção ainda buscava um rumo.

Contra a Escócia, esse rumo apareceu — ou aparenta. Não significa que todos os problemas desapareceram. Ainda existem momentos em que o Brasil baixa a intensidade, ainda há espaços que uma seleção mais qualificada pode explorar e ainda falta saber como essa equipe reagirá quando enfrentar uma adversidade real no mata-mata.

Vinícius Júnior é o artilheiro do Brasil na Copa, com quatro gols (Foto: Fifa)

Mas há um detalhe importante: agora existe uma ideia de jogo. E, curiosamente, ela passa por um jogador que muitos insistiram em tratar apenas como uma boa alternativa. Matheus Cunha já não é mais alternativa!

É realidade.

Depois de decidir contra o Haiti, voltou a ser decisivo diante da Escócia. Marcou mais um gol, participou das ações ofensivas, pressionou sem a bola, abriu espaços para Vinícius Júnior e mostrou exatamente aquilo que Ancelotti parece procurar: um atacante que joga para o coletivo sem deixar de ser decisivo individualmente.

Confesso que existe um orgulho difícil de esconder. Porque não estamos falando apenas de um atacante da Seleção Brasileira. Estamos falando de um paraibano que chegou à Copa carregando dúvidas e, três jogos depois, se tornou um dos rostos desta campanha. E isso muda narrativas.

Há poucos dias, escrevi sobre Douglas Santos e sobre a infeliz tentativa de diminuir sua representatividade na Seleção. Hoje, volto ao mesmo ponto. A Paraíba nunca pediu favores ao futebol brasileiro. Ela apenas esperou que o seu talento fosse reconhecido.

Douglas é titular. Matheus é protagonista.

E ambos demonstram, dentro de campo, que qualidade não nasce por endereço. Nasce por trabalho. Talvez essa seja a maior vitória desta Copa para nós.

Enquanto Vinícius Júnior encanta o mundo com seu futebol — e faz por merecer todos os holofotes —, Matheus Cunha mostra que também existe espaço para quem veio longe dos grandes centros, longe dos tradicionais formadores de opinião e longe dos eixos que, durante décadas, monopolizaram a narrativa do futebol brasileiro. A Copa entra agora em outro campeonato.

Não existe mais margem para erro. Mas, se havia uma dúvida sobre o que esperar desta Seleção, ela começa a ser respondida.

Ainda não sabemos se o Brasil será campeão. Sabemos, porém, que Carlo Ancelotti finalmente parece ter encontrado um time. E nós, paraibanos, encontramos um motivo a mais para assistir a cada jogo. Porque quando Matheus Cunha e Douglas entram em campo, não vestem apenas a camisa da Seleção. Levam um pedaço da Paraíba com eles.

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Foto: Fifa

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