João Trindade é cronista esportivo, com larga experiência. Foi auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba.

Agora está explicada (eu já sabia, mas como jornalista responsável, esperava a confirmação dos fatos) a derrocada do Botafogo-PB, na reta final da Série C do Brasileirão: salários atrasados, não só de jogadores, mas também do pessoal de retaguarda, bem como rescisões de ex-funcionários, ex-jogadores, ex-treinadores… E, pasmem!, atraso no pagamento de energia, o que resultou no corte.
E o dono da SAF, com a “coerência” que o caracteriza, ainda teve o desplante de dizer, em entrevista a uma emissora de rádio, que isso não atrapalhou o elenco nesta reta final. (Nota-se!…).
Como já foi dito, os salários estão atrasados, tendo chegado a ponto de os jogadores redigirem uma carta oficial, explicando as pendências e cobrando à diretoria.
E mais: há premiações que não foram pagas a atletas e funcionários. No caso dos funcionários, desde o Paraibano. No tocante aos atletas, parte do “bicho” da classificação não foi recebida.
O atleta de futebol é um empregado como outro qualquer, cabendo ao clube, como empregador, honrar o pagamento dos vencimentos, o que inclui salários, direito de imagem e outras consequências, como, por exemplo, depósitos do FGTS, que, a julgar pela situação por que passa a equipe, não devem estar sendo feitos.
É bom que se frise que o atraso de 3 meses seguidos pode resultar em rescisão indireta, caso o atleta acione a Justiça.
Falta de transparência
De acordo com a Lei das SAFs, o clube tem que divulgar demonstrações financeiras, atas e o estatuto da SAF no site dele, o que não ocorreu em qualquer momento, desde a transformação em SAF.
O atual presidente do Botafogo Futebol Cube, a associação, Afonso Guedes, revelou que a SAF não foi transparente com o clube, em nenhuma ocasião até aqui. A associação detém 10% das ações da Sociedade Anônima e é, por força de lei, sócia.
