Jornalista versátil e apaixonado por esportes. Nascido e criado na capital paraibana.
O Clássico Emoção do último sábado não terminou apenas em 4 a 1 para o Campinense. Terminou também em reunião de emergência, café frio na mesa da SAF e dois crachás devolvidos na recepção do Botafogo-PB. Porque, quando a goleada é grande demais, o prejuízo nunca fica restrito ao placar.
No Amigão, o Campinense venceu com autoridade. E quem insistir em tratar o resultado como acidente de percurso, dia ruim ou “detalhe psicológico” que decidiu a partida está apenas tentando suavizar o inevitável. O Botafogo-PB entrou em campo sem alma, sem plano e sem reação — e saiu menor do que entrou. O 4 a 1 foi apenas a tradução numérica de algo que já vinha sendo anunciado rodada após rodada: um time que caminha a passos largos para mais uma decepção.

À Raposa bastou ser organizada, intensa e emocionalmente ligada no clássico. Do outro lado, o time de João Pessoa ofereceu espaços, exibiu uma defesa desalinhada, um meio-campo inexistente e um ataque que mais observava do que incomodava. A goleada foi construída com uma naturalidade constrangedora.
No banco do time da casa estava Evaristo Piza, velho conhecido. O mesmo técnico que, em 2025, ajudou a livrar o Belo do rebaixamento na Série C, agora reencontrava o ex-clube pela primeira vez após uma saída conturbada — para, como se diz no jargão, “seguir por caminhos distintos” em 2026. E fez aquilo que treinador costuma fazer quando encontra ex: venceu. Sem exageros na comemoração, sem discurso atravessado. Apenas venceu. Desde 2019, Piza já soma nove clássicos disputados na Paraíba, com um retrospecto que muitos ainda tratam como saudade seletiva.
No domingo seguinte, a conta chegou. Bernardo Franco, que havia assumido o time no início da temporada, não resistiu. Rodrigo Pastana, executivo de futebol anunciado com pompa há pouco mais de quatro meses, caiu junto. A avaliação interna foi direta: o desempenho apresentado, somado ao resultado no clássico, exigia mudança imediata. Tradução livre: não dava mais para fingir que estava tudo sob controle.
Agora, a missão será de Luiz Carlos Cirne, o “Lisca Doido”. O desafio é alinhar um elenco pobre de ideias, frágil defensivamente e emocionalmente desconectado do peso do escudo que carrega. O clássico apenas arrancou o disfarce.
Desde os primeiros minutos, o Campinense encontrou espaços com facilidade — especialmente pelo lado direito e na bola aérea. O sistema defensivo do Belo parecia um quebra-cabeça montado às pressas, com peças fora do lugar e nenhuma coordenação entre linhas. Não houve correção, não houve resposta, não houve indignação.
No fim das contas, o 4 a 1 não derrubou apenas um treinador e um dirigente. Derrubou o argumento da paciência, a esperança da evolução gradual e o discurso do “processo”. Porque processo algum sobrevive quando o time não compete — ainda mais em clássico.
Mas uma coisa ficou clara no Amigão: quando a goleada é dessas, ela não passa. Ela marca. E cobra.
