Professor Trindade
Sempre na Área

João Trindade é cronista esportivo, com larga experiência. Foi auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba.

Pedro, as coisas não são bem assim!…
18 de julho de 2025

Há, no Brasil, uma mania terrível – e nisso a imprensa é muito culpada – de se endeusar jogadores e valores individuais, quando se sabe que futebol é um esporte coletivo.

Dessa visão absurda, surge outra mais absurda ainda de os considerados bons atletas de futebol no Brasil não admitirem ir para a reserva e nem ser substituídos durante as partidas.

Ora, tal mentalidade é retrógrada, errada e ultrapassada.

Não existem reservas, no sentido pejorativo que se dá ao termo no país. Existe um plantel à disposição do técnico e este deve colocar em campo os atletas que estiverem rendendo melhor; o resto fica para substituições. Cabe ao jogador escolhido, erroneamente julgado titular, que ficou na “reserva” tentar melhorar o rendimento e lutar pela posição.

Pedro pelo Flamengo (Foto: Alexandre Durão)

No recente imbróglio Filipe Luiz x Pedro, o primeiro tem toda a razão: Pedro não está rendendo e não se admite indisciplina (ainda que apenas tática) ou desrespeito ao treinador.

Filipe Luiz, embora sempre educado, não suportou e desabafou, afirmando que o comportamento de Pedro fora “lamentável”, e que beirara o ridículo; arrematando com a afirmação de que o atacante fora o último em tudo nas atividades de treinos da semana.

“Não se negocia um minuto de treino”, enfatizou, arrematando com a dura, mas honesta frase: “Espero que ele se recapacite, que pense e peça desculpas aos companheiros. A culpa é dele. Ele tem que querer”.

Há alguns analistas dizendo que o técnico do Flamengo “exagerou no tom”.

Não concordo. O tom tem que ser esse. É obrigação de um jogador respeitar o técnico, a torcida, os colegas e a diretoria.

Pedro não pediu desculpa e, por meio de nota oficial, considerou a atitude do técnico do rubro-negro “desrespeitosa”.

Lembremos que o jogador também já teve problemas com Rogério Ceni e Dorival Júnior.

Pedro precisa acordar

Trata-se, sem dúvida, de um dos melhores atacantes do Brasil. Mas, como já disse em parágrafos anteriores, isso não garante titularidade no time. Jogar desmotivado, fazer “corpo mole” e praticar indisciplina só pioram a situação. Ele tem que se esmerar para ganhar novamente a posição e marcar gols, que é o que mais interessa ao torcedor.

Seria o caso de lembrar a Pedro um verso de uma música famosa interpretada por Raul Seixas:

“Pedro as coisas não são bem assim…”.