Jornalista versátil e apaixonado por esportes. Nascido e criado na capital paraibana.
Acabou!
Mais uma Copa do Mundo termina para o Brasil antes da hora.
A derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final, encerra mais um ciclo de esperança, frustração e promessas que ficam para a próxima geração.
A história do jogo, curiosamente, resume bem a história desta Seleção.
O Brasil criou oportunidades, desperdiçou um pênalti quando o placar ainda estava zerado, viu Haaland decidir a partida em dois lances e só conseguiu diminuir nos acréscimos, com Neymar, em outra cobrança de pênalti.
Foi tarde demais.
Talvez essa seja a frase que melhor defina o futebol brasileiro na última década e meia.
Sempre tarde demais.
Desde 2010, o Brasil acumula boas equipes, jogadores importantes e campanhas competitivas. Mas, olhando para trás, é difícil apontar uma geração que tenha realmente marcado época. Tivemos grandes atletas.

Tivemos nomes vencedores em clubes. Mas faltou aquele grupo capaz de construir uma identidade, dominar o cenário internacional e fazer o mundo voltar a olhar para a Seleção como referência.
Enquanto isso, outros países evoluíram.
A França revelou uma geração e, quando parecia que ela terminaria, outra apareceu.
A Argentina suportou anos de frustração, reorganizou processos e voltou ao topo sem perder competitividade.
O Brasil continua procurando o próprio caminho.
E Carlo Ancelotti? Também errou. Errou na Copa.
Algumas escolhas demoraram a acontecer. Em determinados momentos, insistiu em formações que claramente não funcionavam. Contra a Noruega, o time assistiu na maior parte do tempo, quando buscou, criou, mas voltou a demonstrar dificuldades para transformar superioridade em resultado. Em torneios curtos, isso costuma ser fatal.
Mas reduzir essa eliminação ao treinador seria confortável demais. Talvez injusto.
Chama atenção como boa parte das críticas mais duras só apareceram depois da eliminação. De repente, surgiram questionamentos sobre a preparação, a montagem do elenco, a condução da Confederação Brasileira de Futebol e até sobre decisões que vinham sendo repetidas desde antes da estreia.
Onde estavam essas discussões quando a bola ainda estava rolando?
É mais fácil apontar erros quando o resultado já decretou o fracasso.

A entrevista coletiva após a eliminação também deixou um gosto amargo. Faltou a contundência que um momento como esse exigia. Faltaram respostas mais profundas. Faltou reconhecer que o problema vai muito além de uma derrota em 90 minutos.
Porque o problema não começou na Noruega.
Nem contra o Japão.
Nem diante do Marrocos.
Ele vem sendo construído há anos.
E talvez seja justamente aí que exista uma pequena luz.
Carlo Ancelotti, mesmo eliminado, apresentou algo que há muito tempo não víamos na Seleção Brasileira: uma ideia de jogo. Houve momentos em que o Brasil soube competir coletivamente. Houve organização. Houve variações táticas. Houve um treinador que tentou oferecer soluções durante os jogos, algo que nem sempre aconteceu nos últimos ciclos.
Isso basta? Claro que não.
Mas talvez indique um caminho.
E o futebol precisa, antes de tudo, de caminhos.
Porque não existe vergonha em perder para seleções fortes. A própria Espanha passou anos procurando uma nova geração depois de dominar o mundo. A Alemanha ainda tenta reencontrar o protagonismo que perdeu após 2014. Talvez a seleção portuguesa esteja na sua melhor forma.
O fracasso brasileiro, portanto, não é um caso isolado.
A diferença está em quem aprende mais rápido.
A França e a Argentina entenderam que sucesso não nasce por acaso. Ele é consequência de planejamento, continuidade, formação de jogadores e convicção.
Talvez seja essa a principal lição que esta Copa deixa para o Brasil.
O hexa não veio.
Mais uma vez.
Mas seria um erro imaginar que tudo precisa começar do zero.
Há jogadores. Há um treinador. Há talento.
O que falta, talvez, seja aquilo que nenhuma convocação resolve. Projeto.
Porque a camisa pesa. A História inspira.
Mas nenhuma estrela bordada no peito entra em campo para decidir um jogo.
E o Brasil já deveria ter aprendido isso há muito tempo.
