Amauri Aquino
Pelos Gramados da Paraíba

Jornalista versátil e apaixonado por esportes. Nascido e criado na capital paraibana.

O Belo ainda merece um amanhã melhor
29 de setembro de 2026
(Foto: João Neto/Botafogo-PB)

Entre a frustração no quadrangular, a troca no comando e as dúvidas sobre a SAF, sigo querendo acreditar em 2027. Mas a esperança, desta vez, precisa vir acompanhada de respostas.

Sou jornalista. E sou torcedor do Botafogo-PB.
Costumo dizer que uma coisa não impede a outra. O jornalista precisa olhar para o que acontece, fazer perguntas e resistir à tentação de transformar desejo em notícia. O torcedor, por sua vez, sofre até quando já sabe a resposta.

O empate com o Maringá, no Almeidão, deixou o acesso à Série B ainda mais distante. Praticamente nulo. Eu não acredito. Depois vieram as saídas do técnico Marcelo Fernandes, do auxiliar e do diretor de futebol. Em poucos dias, a pergunta deixou de ser apenas se o Belo conseguiria reagir no quadrangular. Passou a ser como o clube vai se reorganizar para o ano que vem.

Dói escrever isso justamente depois de uma temporada que nos deu motivos para acreditar. O título paraibano encerrou um jejum de sete anos. A campanha levou o Botafogo à fase decisiva da Série C. Nós vimos o time chegar perto o bastante para imaginar, outra vez, a Série B.

Talvez seja por isso que a queda de rendimento machuque tanto. Quando a esperança ganha forma, ela também ganha endereço: o Almeidão, a arquibancada, a conversa antes do jogo, o caminho de volta para casa depois de um resultado difícil.

Torcida do Botafogo-PB no Almeidão (Foto: João Neto/Botafogo-PB)

Aos 95 anos, o clube da Maravilha do Contorno vive ainda outra incerteza. Fillipe Félix anunciou que buscará novos investidores e afirmou que pretende continuar ligado ao clube em 2027. Ao mesmo tempo, uma reportagem do Blog do Pedro Alves relata que investidores receberam um comunicado sobre possibilidades de venda, enquanto o clube ainda não confirma que a SAF tenha sido vendida. Há conversas e versões que precisam ser esclarecidas. Não há, até aqui, uma venda que possamos tratar como concluída.

É nesse ponto que o torcedor em mim quer se agarrar a qualquer promessa de recomeço. E o jornalista pede calma.

Mais investidores podem ajudar. Uma nova direção para o futebol pode ajudar. Mas o que vai devolver confiança à torcida são decisões que ela consiga acompanhar: quem estará à frente do projeto, quais recursos estarão disponíveis, como será montado o elenco e o que o clube fará para não repetir os mesmos erros.

Não é o momento para pedir garantia de acesso. Futebol não oferece isso a ninguém.

É sim, uma súplica da bancada que em 2027 comece com um plano que sobreviva ao primeiro resultado ruim. Que o próximo treinador receba condições para trabalhar. Que a torcida seja chamada para perto também quando as notícias forem difíceis.

Ainda há jogos nesta temporada, e enquanto houver chance matemática, haverá alguém de preto e branco fazendo contas. Mas já é hora de pensar no que vem depois.

Quero voltar ao Almeidão em 2027 com aquela expectativa que todo torcedor conhece antes de a bola rolar. Quero acreditar que desta vez o Belo pode ir mais longe.

Hoje, acreditar exige esforço.

Mas o Belo continua sendo o meu time e o de tantos outros corações. E é justamente por querer vê-lo vencer que não consigo aceitar que a esperança seja, mais uma vez, o único plano para o ano seguinte.

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