Jornalista versátil e apaixonado por esportes. Nascido e criado na capital paraibana.
Carlo Ancelotti construiu uma carreira vencedora, transformando o pragmatismo em arte. O problema é que, na Seleção Brasileira, ainda faltam as peças capazes de decidir quando o plano deixa de funcionar.
A estreia do Brasil diante do Marrocos deixou mais dúvidas do que respostas. E talvez isso nem seja uma surpresa.
Os times de Carlo Ancelotti sempre foram assim: competitivos, resilientes e acostumados a sofrer. No Real Madrid, o treinador italiano conquistou 15 títulos ao longo de duas passagens pelo clube. Entre eles, três Liga dos Campeões, construídas muito mais na força mental e na eficiência do que propriamente no espetáculo.
Para contextualizar, na campanha de 2021/22, o Real Madrid parecia à beira da eliminação em praticamente todos os mata-matas. Virou contra PSG, Chelsea e Manchester City antes de levantar a taça diante do Liverpool. Em 2023/24, a história se repetiu. Passou por RB Leipzig, City e Bayern de Munique em confrontos apertados, até uma final relativamente tranquila contra o Borussia Dortmund.

Era a arte do pragmatismo tático. Ganhar era o objetivo. O como, quase sempre, ficava em segundo plano.
Mas existe uma diferença importante entre aquele Real Madrid e esta Seleção Brasileira.
O time espanhol tinha Vinícius Júnior, Rodrygo, Bellingham, Modric, CR7, Kroos e companhia. Jogadores capazes de mudar o rumo de uma partida em um único lance.
Craques que transformavam sofrimento em classificação.
O Brasil de hoje aposta no Vinicius Júnior para ser esse protagonista.
Contra o Marrocos, vimos erros de passe, posicionamento equivocado, pouca intensidade em determinados momentos e uma equipe que, por diversas vezes, pareceu sem convicção sobre o que fazer com a bola. Faltou brilho. Faltou personalidade.
Ainda é cedo para qualquer sentença definitiva. Afinal, estamos falando da Seleção Brasileira.
A camisa de cinco estrelas continua carregando respeito, história e um peso que nenhum adversário ignora. Mesmo sem um craque dominante como em outras gerações, o Brasil ainda inspira cautela e preocupação.
Talvez Ancelotti consiga, com o tempo, construir uma equipe mais sólida e competitiva. Talvez o pragmatismo funcione. Talvez o sofrimento faça parte do caminho.
Por enquanto, resta apostar. Torcer. Esperar.
E rezar para que os fantasmas do passado não voltem a ganhar forma. Porque, embora o 7 a 1 tenha acontecido há muitos anos, a sensação de vulnerabilidade que ele deixou continua escancarada diante dos nossos olhos, lembrando-nos diariamente de que a tradição, sozinha, não vence um jogo — nem muito menos uma Copa do Mundo.
