Professor Trindade
Sempre na Área

João Trindade é cronista esportivo, com larga experiência. Foi auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba.

Goleiros e ídolos
19 de fevereiro de 2026

Desde tenra infância, idolatro goleiros. Com 4 anos de idade, na longínqua Piancó, aSeleção Brasileira estava na Copa (1962) e eu brincava de goleiro com meus irmãos mais velhos. Improvisávamos uma trave na sala e eles chutavam para eu “agarrar”. É claro que não chutavam com força: era mais para alimentar a ilusão do caçula que era eu. Ambos eram bem mais velhos.

Eu sempre “queimava” (soltava a bola); não agarrava. Meu irmão mais velho, Virgílio, que mais tarde se tornaria um dos maiores treinadores do futebol paraibano, dizia:

– Você não pode “queimar”; tem que agarrar.

Aí eu respondia:

– Mas eu sou Castilho!

Sempre fui diferente.

Castilho (goleiro do Fluminense) era o reserva de Gilmar, na seleção de 1962. Ao invés de gostar de Gilmar, eu idolatrava Castilho, meu primeiro ídolo. Já adulto, soube que Castilho não segurava a bola, nos jogos noturnos, porque era daltônico.

Depois, ainda na infância, veio (eu tinha 8 anos) meu segundo ídolo, que é o maior deles até hoje: Celimarcos, do Esporte de Patos. Sem dúvida, o melhor goleiro de todos os tempos, do futebol de Patos, e um dos maiores da Paraíba.

Depois de Celimarcos, Menininho, também do Esporte (agora eu já tinha entre 13 e 14 anos). Nas peladas, eu queria ser menininho. Apesar de atuar mais no futebol, fui o primeiro goleiro de handebol da história da “morada do sol”, quando atuei (em poucas partidas) pelo Colégio Estadual de Patos (o jogo foi introduzido na cidade por Bastinho, jogador do Nacional e, depois, técnico).

Na época, eu tinha, também, ídolos goleiros do Flamengo: Franz (que, segundo a Revista do Esporte, abandonou o futebol porque quebrou a clavícula (na época, a medicina não era tão avançada quanto hoje).

Outro que fez história para mim foi Raul (do Cruzeiro e, depois, do Flamengo). Lá em casa, toda semana vinha a revista Placar e fiz um curso de goleiro, de autoria dele, em fascículos encartados nessa revista. Aprendi muito sobre o posicionamento debaixo da trave: detalhes até de física sobre os locais da treva aque o goleiro não consegue chegar se o atacante chutar lá.

O próximo ídolo meu foi Renato, goleiro do Flamengo (agora, em 1972, já em João Pessoa), que viera do Atlético Mineiro.

Depois disso, outro esporte me tomou a atenção: o xadrez,pelo qual cheguei a ser vice-campeão (em equipe) dos Jogos Estudantis da Paraíba (torneio oficial, organizado pela Secretaria de Educação e Cultura), pelo Colégio estadual de Jaguaribe.

Que saudade dos meus ídolos!…

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