Amauri Aquino
Pelos Gramados da Paraíba

Jornalista versátil e apaixonado por esportes. Nascido e criado na capital paraibana.

Favoritos em apuros e líderes improváveis: o Paraibano 2026 já começou pegando fogo
27 de janeiro de 2026

O Campeonato Paraibano 2026 mal começou e já entregou aquilo que o torcedor mais gosta: surpresa, tropeço de favorito, técnico rodando cedo e muita corneta liberada sem moderação. Em apenas três rodadas, disputadas ao longo de uma semana, já dá para dizer com certa segurança: ninguém sabe exatamente onde isso vai parar — mas alguns já começaram a frear antes da curva.

Na ponta da tabela, quem olha todo mundo de cima é o Nacional de Patos. Invicto, líder isolado com sete pontos, duas vitórias e um empate. O Canário do Sertão iniciou o campeonato com aquele jeitão discreto de quem não faz alarde, mas vai somando pontos enquanto os outros discutem. Não perdeu, não se complicou e, por enquanto, manda no terreiro.

Logo atrás aparece o Treze, que começou dando as cartas, mas já levou um puxão de orelha. A derrota em casa para o Atlético de Cajazeiras ligou o sinal de alerta no Amigão — mesmo com o treinador Roberto Fernandes garantindo que o revés foi a melhor atuação do time na temporada.

O Atlético de Cajazeiras, aliás, começou tropeçando, perdeu logo na estreia, mas reagiu como quem ouviu a corneta cedo demais. São duas vitórias seguidas, a última fora de casa, justamente contra o Treze. Moral elevada, discurso ajustado e presença firme no G-4. Se o campeonato fosse conversa de arquibancada, o Trovão Azul já teria calado pelo menos metade.

Outro que aparece bem na foto é o Serra Branca. Duas vitórias, futebol crescente e um detalhe importante: o Carcará está nas cabeças sem pedir licença — veio para incomodar e está conseguindo.

Agora, se o topo surpreende, o meio da tabela incomoda. Botafogo-PB e Sousa, finalistas da temporada passada, aparecem fora do G-4. O Belo empilha empates, soma cinco pontos, mas ainda não engrenou. A esperança é que o time encaixe com a dupla Nenê e Giovanni, ou ao menos encontre mais qualidade no meio-campo.

Sousa x Botafogo-PB pelo Paraibano 2026 (Foto: João Neto/Botafogo-PB)

Já o Sousa oscila, perde fora, empata quando precisava vencer, sente a falta de peças que saíram para o Carcará do Cariri e começa a olhar para a tabela mais cedo do que gostaria. Para quem brigou por taça recentemente, o início é, no mínimo, indigesto.

Mais embaixo, a tabela vira sala de emergência. Esporte de Patos e Confiança de Sapé já trocaram de treinador com apenas três rodadas disputadas. No Patinho, Higor César chegou para tentar estancar o vazamento deixado por Alexandre Lima. Em Sapé, Ederson Araújo assumiu no lugar de César Wellington, com a missão ingrata de explicar como se toma oito gols em três jogos.

E lá no fim, o Pombal segue naquele modo clássico de “participação honrosa”: segura a lanterna, empata quando dá e tenta sobreviver rodada a rodada.

Resumo da ópera: três rodadas foram suficientes para bagunçar previsões, derrubar certezas e inflar egos inesperados. O Paraibano 2026 começou do jeito que todo mundo gosta — imprevisível, apimentado e com cheiro de crise precoce. E se em janeiro já está assim… imagine quando chegar fevereiro… março.