João Trindade é cronista esportivo, com larga experiência. Foi auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba.
Matéria publicada na Folha de São Paulo de sábado, 20 de dezembro último, nos traz uma interessante informação: o pagamento de comissões a empresário de jogadores somou US$ 1,37 bilhão (R$ 7,5 bilhões) em 2025, quantia recorde no mercado do futebol. De acordo com a Fifa, tal cifra representa alta de 90%, em relação ao ano anterior.
Em 2024, os representantes de atletas haviam recebido cerca de US$ 890 milhões (R$ 4,9 bilhões).
Ainda segundo a matéria, o Brasil não figura entre os países que mais gastaram com agentes. Empresários brasileiros, no entanto, aparecem entre os cinco que mais receberam comissões, com cerca de US$ 97,2 milhões (R$ 536 milhões).

De acordo com a entidade, no ano de 2025 agentes de clubes participaram de 3.010 transferências internacionais, número recorde e 38,1% em comparação a 2024.
As negociações em que empresários atuaram em nome de jogadores totalizaram 3.730 transferências, o que equivale a 15,3% de todas as operações realizadas ao longo do ano.
O levantamento também destaca o avanço do futebol feminino, em relação a comissões. Em 2025, os gastos de clubes com serviços de agentes superaram US$ 6,2 milhões (R$ 34,2 milhões), valor que representa o dobro de 2024, que foi de US$ 3,1 milhões (R$ 17,1 milhões).
A verdade é que com o mercado do futebol cada vez mais globalizado, os agentes se tornaram peças fundamentais no mundo dos esportes internacionais. No momento atual, um atleta sem um agente tende a não ter destaque na carreira, ainda que seja bom jogador. Notem-se as transações por vezes absurdas acontecidas no futebol brasileiro, em que clubes contratam alguns atletas famosos, em condições notoriamente desfavoráveis, com o intuito promocional e “para vender camisas”. A verdade é que, no panorama atual, técnicos recebem uma pressão muito grande para escalar este ou aquele jogador.