Professor Trindade
Sempre na Área

João Trindade é cronista esportivo, com larga experiência. Foi auditor do Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba.

Atrito na CBF 
6 de setembro de 2025

Leio, em matéria de Carlos Petrocilo, na Folha de São Paulo (4/9), que houve um sério atrito entre o presidente da entidade, Samir Xaud, com o vice-presidente Fernando Sarney (filho de José Sarney), porque Xaud demitiu Eurico Pacífico, o preferido da família Sarney para comandar a Federação Maranhense de Futebol. 

Antes que o leitor (a) apressado (a) objete que “a vice-presidente” da entidade é a paraibana Michelle Ramalho, explico: há vários vices-presidentes na CBF. Daí não caber esse artigo definido (a) quando a imprensa local se refere a Michelle. Ela não é “a vice-presidente”; é vice-presidente. 

O atual presidente entrou em choque com o vice Fernando Sarney, porque dispensou dirigente citado, aliado de Sarney, da gerência de beach soccer da entidade. 

Sede da CBF no Rio de Janeiro. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Virtual candidato à presidência da Federação Maranhense de Futebol (FMF), é apoiado pela família Sarney, que, como todos sabemos, tem uma influência muito grande em todos os segmentos daquele estado. 

Ainda segundo a matéria da Folha, Pacífico e Sarney, já se reuniram com o governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB) para tratar do assunto. 

Destaque-se que Pacifico já havia sido demitido por Ednaldo Rodrigues, por justa causa, em maio deste ano. A justificativa do então presidente foi que Pacífico se ausentava, frequentemente, do trabalho. 

O responsável pela área de beach soccer foi reconduzido ao cargo por Sarney, que, em maio, assumiu, interinamente, a presidência. Quando Xaud foi eleito, decidiu pela demissão do protegido de Fernando. 

Em nota, a CBF informa que o desligamento de Eurico se deu “dentro de um processo de restruturação de quadros”, após a nova gestão da entidade haver tomado posse. 

Pacífico negou à Folha que seja candidato à FMF e diz que saiu da CBF por razões pessoais, mas mantém boas relações com a diretoria. 

Acerca de Fernando Sarney, o ex-funcionário o define como um “dirigente da CBF que atua há muitos anos no esporte e conhece o futebol brasileiro como poucos”. 

De tudo isso, uma lição: é perniciosa essa influência da política no futebol brasileiro.