Além do apelido, Lisca aposta no trabalho mental no Botafogo-PB
Técnico inclui profissional da psicologia como auxiliar mental e defende a neurociência no futebol
8 de fevereiro de 2026

O novo técnico do Botafogo-PB carrega o apelido de Lisca Doido, associado à sua personalidade intensa à beira do gramado. Fora dele, no entanto, a fama de “doido” dá lugar a um treinador que leva muito a sério a saúde mental dos atletas com quem trabalha. Na comissão técnica que atuará no Belo, Lisca conta com um profissional da psicologia, que exerce a função de auxiliar mental.

Com passagens por diversos clubes do futebol brasileiro, como Juventude, Náutico, Ceará, Vasco, Sport, Santos, Avaí, Vila Nova e América-MG, Lisca percebeu, ao longo da carreira, a importância do trabalho mental no dia a dia das equipes.

O futebol é feito de quatro valências: técnica, tática, física e mental. Pela experiência que tive em diversos clubes, muitos não trabalham a parte mental. Trabalham o jogador até o pescoço, mas é a cabeça que realmente decide tudo. Já era um objetivo meu ter, na comissão técnica, um profissional atento a esse aspecto, que pudesse desenvolver não um trabalho clínico, mas um trabalho cognitivo, fazendo o jogador se sentir bem, pertencente ao processo e ao trabalho, afirmou.

Rafael Cirne Lima, educador físico e pós-graduado em psicologia, é o profissional do staff de Lisca responsável por atuar na parte mental. De acordo com o treinador, diferentemente do que ocorre em outros clubes, Rafael trabalha de forma integral no Botafogo-PB e atua em diversas frentes do dia a dia.

Aqui, nós temos o auxiliar técnico, o auxiliar físico e o auxiliar mental. Esse profissional participa das reuniões, do dia a dia do clube e trabalha em tempo integral no Botafogo-PB. A inclusão dele se dá justamente nesse aspecto, com algumas atividades diferentes. A neurociência está crescendo no futebol, tanto para o trabalho de recuperação quanto para a busca de harmonia e saúde mental. Pretendo, inclusive, me aperfeiçoar um pouco mais nessa área, porque a mente é a base de tudo, explicou.

Lisca, técnico do Botafogo-PB (Foto: João Neto/Botafogo-PB)

Mesmo sem o Botafogo-PB ter contado com um profissional de psicologia em outros momentos, Lisca destacou a abertura do clube para a implementação dessa metodologia de trabalho.

Nada acontece de uma hora para outra; é preciso adaptação a esse tipo de trabalho. O Botafogo-PB aceitou de muito bom grado a inclusão desse profissional, algo que nem todos os clubes fazem, destacou.

Segundo o treinador, o objetivo é estabelecer essa mentalidade a longo prazo, para que o clube possa, futuramente, contar com um departamento exclusivo voltado à saúde mental dos atletas.

“A vinda desse profissional tem esse objetivo: fazer com que o Botafogo-PB comece a desenvolver essa área dentro do clube e, futuramente, possa contar com um psicólogo, um psicoterapeuta e uma equipe completa, capaz de atender essa demanda da melhor maneira possível”, completou.

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Foto: João Neto/Botafogo-PB

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