O presidente do Sousa, Aldeone Abrantes, criticou duramente a CBF pela redução das cotas financeiras destinadas aos clubes que disputarão a Copa do Brasil. Em entrevista ao narrador Eugênio Rodrigues, do canal Futebol Para Todos, o dirigente afirmou que houve uma diminuição “drástica” nos valores previstos para a segunda fase da competição.
Segundo Aldeone, os clubes que avançam à segunda fase, como o Sousa e outros campeões estaduais, contavam, em seus planejamentos, com uma cota em torno de R$ 950 mil, valor praticado anteriormente. No entanto, para a edição atual, a quantia foi reduzida para R$ 830 mil brutos.
“Com o desconto de 10%, o clube fica com cerca de R$ 747 mil. Ou seja, a CBF está pagando uma cota relativa à primeira fase do ano passado para clubes que estão na segunda fase”, afirmou.
O presidente ressaltou que não se trata de ausência de reajuste, mas de redução efetiva.
“Não é reajuste, é diminuição. Você tira de R$ 950 mil e cai para R$ 830 mil. Isso impacta diretamente o orçamento dos clubes intermediários”, disse.
Para ele, a decisão distorce o planejamento financeiro, já que muitos clubes montaram seus orçamentos considerando, ao menos, a manutenção da cota da fase alcançada.
Aldeone também apontou uma incongruência no modelo atual, que, segundo ele, acaba favorecendo clubes convidados.
“Fica mais vantajoso entrar como convidado, receber uma pré-cota de cerca de R$ 400 mil e depois a cota da segunda fase, do que se classificar esportivamente”, criticou, acrescentando que a insatisfação é generalizada entre os clubes pelo país.
Durante a entrevista, o dirigente fez um apelo para que a nova gestão da CBF reveja a decisão.
“Espero que Samir Xaud e sua equipe, assim como Júlio Avellar, possam reavaliar essa situação, porque a conta não fecha do ponto de vista do que se esperava”, declarou.
Para Aldeone, a ampliação do número de participantes na Copa do Brasil é positiva por contemplar mais federações e filiados, mas o custo estaria recaindo sobre os clubes de divisões inferiores.
“Não vejo redução de cotas na Série A nem na Série B. A Série C eu não sei, mas a Série D é quem está pagando a conta da reforma do calendário”, concluiu, lamentando a falta de atenção ao tema no debate nacional.
Apesar de reconhecer que sua posição pode trazer desgaste pessoal e institucional, Aldeone afirmou que considera necessário tornar pública a insatisfação.
“Ninguém fala da Série D. A mídia não debate. E, mais uma vez, os clubes menores estão arcando com o prejuízo”, finalizou.
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Foto: Reprodução / Instagram
